Sabias que a perturbação psiquiátrica com mais prevalência em Portugal é a de Ansiedade? Tenho andado a pensar sobre isto… As minhas experiências pessoais e profissionais, assim como as minhas leituras conduziram-me a um conceito que para mim não é novo mas que me ajudou a perceber melhor porque é que a ansiedade toma conta de nós e nos tira a paz que tanto queremos sentir. Esse conceito é o do APEGO. 

E se passássemos a chamar “Apego” ao que habitualmente intitulamos de “Ansiedade”, o que acontece? Ora experimenta comigo…:

  • “Sinto-me apegada a este trabalho, não vejo a hora de entregar este processo.” 
  • “Sinto-me apegada à conversa que tive ontem com o meu marido. Ele não é capaz de me dar razão.”
  • “Sinto-me apegada em relação a este projeto. Desejo muito que seja um sucesso.”
  • “Sinto-me apegada a esta casa. Não me vejo a viver noutra.”
  • “Sinto-me apegada aos meus filhos. Eles estão a crescer tão depressa e já não querem sair comigo.”
  • “Sinto-me apegada a este concurso. Só de imaginar a quantia monetária que poderei receber se o ganhar…”

Eu poderia dar tantos outros exemplos, nos quais o apego que sentimos às coisas, às pessoas ou às situações nos causam na verdade mais sofrimento do que paz. 

Há uns meses ouvi alguém que dizia que “o apego é estar preso”. E isso ressoou muito em mim… Claro!! E todos queremos nos sentir livres, não é? Quando te sentes preso (a alguém, a um projeto, a uma situação, a um bem material) sentes-te inseguro, sentes medo (de perder aquela coisa ou de não a conseguir alcançar), sentes-te impaciente… e… ANSIOSO!

E se nos propuséssemos a viver uma vida mais simples, mais leve, e com mais presença?

Queremos sentir PAZ… essa paz é alcançada através de um caminho de crescimento espiritual. Quando escolhes trilhar esse caminho, o DESAPEGO é inevitável. 

Mas afinal o que é o DESAPEGO? E como isso nos pode trazer felicidade?

Desapegar é nos deliciarmos com o fluir da vida, com o aqui e o agora, em direção aos resultados que queremos obter. 

Desapegar é deixar fluir o movimento natural que nos leva onde queremos chegar. 

Desapegar é assumir a coragem para sermos o que somos e não o que temos. 

Desapegar é confiar que somos merecedores de amor. É confiar que somos suficientes tal como somos, sem tirar nem pôr. Quando vivemos apegados às expectativas dos outros sobre nós, andamos sempre à procura de algo que não somos. 

Desapegar é nos libertarmos da tirania do “ter” ou do “dever” para nos abrirmos às infinitas possibilidades que temos para escolher. 

Desapegar é valorizar os pequenos passos do dia-a-dia, pois são esses que afirmam as nossas idiossincrasias, o nosso valor único que nos distingue dos outros.

Desapegar é DEIXAR IR… uma atitude valiosa de Mindfulness (já agora, a prática de Mindfulness, por si, é uma grande jornada rumo ao desapego!). Para mim, deixar ir é das atitudes mais reveladoras. Das mais difíceis de praticar, é certo. Mas tão libertadora! Deixar ir velhos preconceitos, os conflitos do dia a dia, a raiva, a angústia, o medo de falhar, o perfeccionismo, a preocupação com a opinião dos outros, com o insucesso, a necessidade de ter tudo sob controlo. Xiça!! Deixar ir isto tudo é tão difícil mas é tão bom!!!

Em termos existenciais, existem dois tipos de desapego. O desapego relativo ao passado (ao que tivemos e já não temos, ao que amámos e que não se voltará a repetir, à culpa ou à perda) e o desapego face ao futuro (ao que pode ou não vir a acontecer, ao que não podemos mas desejamos prever). Praticar o desapego significa percebermos e interiorizarmos que a única coisa que podemos efetivamente controlar é a escolha do que sentimos face ao que nos acontece. Esta é a base da sabedoria emocional. 

E como alcançar esta SABEDORIA? Deixo-te algumas sugestões:

  • Define como te queres sentir e que direção queres tomar na tua vida (lembra-te que és o único responsável por ela, por isso aproveita-a bem!).
  • Questiona-te sobre o que é mais importante para ti, a cada momento. 
  • Deixa ir tudo aquilo que não te serve (bens materiais, situações, pessoas, etc.). Fica com aquilo que te faz sentir leve e em paz. 
  • Procura agir com a consciência do impacto que o teu comportamento tem na ecologia do nosso sistema “Terra” e nos seres que nela habitam. 
  • Junto dos que amas, pratica uma presença plena. Eles só precisam de ti e não das coisas que tens para lhes dar. 
  • Vive com amor no teu coração. Ama-te a ti primeiro e sê grato por tudo o que és. Cuida-te e pratica compaixão contigo mesmo. Quando deixares de te queixares ou julgares, serás uma energia positiva para os outros também. 

“O apego não é mais do que uma variação do ego (…). Quando te libertares do apego, conhecerás o teu verdadeiro eu e saberás que o que é verdadeiro não pode nunca ser afetado, como tal, não precisa de ser protegido.” (Deepak Chopra)

Faz sentido para ti? Também pensas nestas coisas? 

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Obrigada!

Zulima