Quando mergulhei no mundo da maternidade, levava comigo a forma como tinha sido educada e os ensinamentos que tinha obtido ao longo da minha formação em Psicologia.  Eu acreditava que elogiar uma criança aumentava a sua auto-estima. Eu acreditava que o castigo e a recompensa eram os métodos mais eficazes para mudar o comportamento. Eu acreditava que, enquanto mãe, devia ser sempre consistente (um “não” seria sempre um “não”, um “sim” seria sempre um “sim”). Eu acreditava no time-out e noutra qualquer estratégia que pusesse a criança a “pensar na vida”. Eu acreditava que a melhor maneira de lidar com uma birra seria ignorá-la. Entre outras coisas nas quais eu acreditava… ou talvez não! 

Até ser mãe, as estratégias educativas nas quais eu me baseava (muito na prática da minha profissão de Psicóloga) eram estas de que falei acima… Quando eu comecei a aplicá-las ao meu filho, não tardou muito para eu sentir desconforto e incongruência entre o que fazia e o que sentia. Foi quando eu percebi que tinha de estudar mais, procurar outras abordagens, mais atuais, sustentadas em investigação que apontava caminho para uma educação que promovesse a verdadeira auto-estima da criança, um desenvolvimento pleno e harmonioso e uma relação positiva e de cooperação entre pais e filhos. Foi quando conheci a Mikaela Ovén e a abordagem Consciente da Parentalidade! 

Li dezenas de livros, assisti a várias aulas e workshops, fiz diversas formações e percebi que o caminho era este. Que se eu queria ser a mãe que intencionava ser, tinha de ouvir mais o meu coração. E então percebi que posso ser amorosa e firme ao mesmo tempo. Que posso educar o meu filho para ser um ser humano íntegro, respeitador de si próprio e dos outros, responsável e autêntico, e livre! E para isso não precisava de usar a palmada, os castigos, as recompensas, os time-out, as ameaças, etc. 

E questionei tanto as estratégias educativas tradicionais que não restaram dúvidas para mudar. Pensa comigo: 

O que achas que acontece a uma criança que é elogiada regularmente? 

Que adulto estás a ajudar a criar quando a forma de lidares com o comportamento do teu filho é baseada em castigos e recompensas? 

Achas mesmo que o teu filho “pensa na vida” ou “no erro que cometeu” quando o pões em time-out?

O que aprende uma criança quando, em plena descarga emocional (nós adultos chamamos a isso “birras”), é ignorada pelos pais?

Se acompanhas o meu blog certamente terás algumas respostas em textos anteriores. Em todo o caso, usa a tua intuição. Ela não falha. No fundo, tu sabes que estas estratégias resultam, a curto prazo, mas não resolvem o teu problema. E não há ninguém que ame o teu filho mais do que tu, por isso vale a pena mudar!

O teu filho precisa de uma relação segura contigo, onde sente que tem valor independentemente do que faz, que é visto e ouvido, que tu te interessas pelos seus sentimentos e pelas coisas que faz, que tens tempo para ele (tempo onde estás plenamente presente e offline), que confia em ti para lhe mostrares o caminho sentindo-se seguro para escolher sozinho, sabendo que toda a escolha tem consequências para ele, mas que, se correr mal, embora vá doer, ele terá os teus braços para o acolher. Quando o teu filho sentir isto tudo, garanto-te que ele vai cooperar contigo! 

Se a tua perceção é de que o teu filho resiste, desafia, não colabora… Faz uma pausa consciente e muda o foco onde colocas a tua atenção. Tens seguramente muito mais a desaprender do que o teu filho tem em aprender! Presta atenção a ti, ao teu comportamento e às tuas atitudes.

O que tens feito para promover uma relação saudável com o teu filho? Tens lhe dado independência suficiente? Tens exercido muito controlo sobre ele? Há quanto tempo não se divertem muito? O teu filho tem tido espaço para ele próprio? Quão presente tens estado na vida dele? Há quanto tempo não fazem algo juntos? 

A contribuição da Programação NeuroLinguística diz-nos que “a resistência é o resultado de falta de rapport”. Por outras palavras, significa que para termos vontade de colaborar com alguém temos de nos sentir suficientemente ligados (afetivamente) a essa pessoa. Se tu estás sempre a cobrar, controlar, julgar, ameaçar, pressionar o teu filho, achas que ele vai ter vontade de cooperar contigo? Nahhhhh

Se ao leres este texto, sentires que até aqui fizeste muitas coisa que na verdade não querias fazer. E se faz sentido para ti o que acabaste de ler, então tenho uma mensagem de esperança: vais sempre a tempo de mudar!

Tu nunca foste mã mãe/mau pai e os teus pais não foram maus pais. Simplesmente fizeste o melhor que conseguiste com os conhecimentos e recursos que tinhas (e os teus pais também!), mas podes mudar! Claro que podes escolher outros caminhos: podes escolher manter-te como estás porque a mudança dá trabalho; podes escolher criticar a abordagem consciente da parentalidade como forma de te desresponsabilizares ou de te defenderes; ou podes escolher aprender coisas novas e ter um olhar de curiosidade perante esta forma diferente de viver, sentir e praticar a parentalidade. 

Podes mudar a forma como exerces a tua parentalidade em qualquer momento da vida do teu filho. Esta abordagem consciente dá-te acesso a estratégias que potenciam o desenvolvimento positivo do cérebro do teu filho, permitindo-o ser emocionalmente inteligente e aprender a fazer boas escolhas, ao mesmo tempo que reforça a tua relação com ele. 

Quando usas esta abordagem, estás a colocar o foco na relação que tens como o teu filho, porque é esta ligação positiva que te vai permitir ensinar-lhe o discernimento pessoal, a empatia relacional e a importância de aceitar a responsabilidade nos momentos em que erra. Sabias que ao educares procurando estabelecer uma ligação calma (mas firme) com o teu filho, irás ativar nele circuitos de visão mental, refletivos, receptivos e reguladores, que vão fortalecer a parte superior do cérebro de forma a criar discernimento, empatia, integração e reparação?

Sabias que quando educas com gritos, punições, palmadas, ameaças estás a ativar a parte inferior do cérebro do teu filho, reforçando a falta de auto-regulação emocional e conduzindo a uma hiperativação dessa parte do cérebro? Não é de espantar que essas crianças sejam mais reativas, mais intolerantes à frustração, mais desafiadoras e menos cooperantes. Não sou eu que o digo! São os estudos neurocientíficos! E eu confio neles. Quando ainda leio comentários nas redes sociais, do género: “Eu levei muitas palmadas e não morri”, pergunto-me: “A sério??”. E depois andam a dizer aos filhos que não se bate nos amigos, não se bate nos pais, não se bate nos animais? Dar palmadas só é válido quando é de pais para filhos? Aí é educação? Educar fazendo o oposto do que se ensina é que está certo? Será que quem defende a palmada se sente mais poderoso como pai/mãe? É a obediência a todo o custo e com base no medo a principal intenção da educação? Como já deram palmadas, será que têm vergonha de assumir que é errado, e que não têm coragem para simplesmente ousar mudar? E que por isso mantêm uma postura rígida e limitada em relação ao assunto, ridicularizando quem propõe uma visão diferente?

Eu sei que não conseguimos ser sempre perfeitos e como queríamos ser no exercício da parentalidade. Mas é da nossa inteira responsabilidade enquanto pais e educadores fazermos escolhas conscientes. Podes decidir dar passos nessa direção, sabendo que cada passo que deres oferecerá ao teu filho uma oportunidade para se ligar a ti. Se te comprometeres com uma abordagem que promova a auto-estima do teu filho, o desenvolvimento pleno e harmonioso do seu cérebro, e o respeito pela sua integridade e autenticidade, estarás no bom caminho!

“Podemos, a qualquer momento, escolher despir a armadura que nos protege e unir-nos aos nossos filhos, oferecendo-lhes o presente de sermos pais mais abertos, compassivos e compreensivos.” (Jon Kabat-Zinn)

Faz sentido para ti?

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Obrigada!

Zulima