Tenho estado a reflectir sobre PRESENÇA, sobre TEMPO, sobre a qualidade da nossa presença e sobre o tempo que realmente temos (ou não temos) para estarmos presentes na vida dos nossos filhos.

Costumo dizer que o nosso país não é muito “family friendly” mas que também podemos fazer escolhas que nos possam ajudar a estar mais alinhados com o nosso propósito de vida. 

Quando falo sobre exercer uma Parentalidade Consciente, falo sobre a importância da Paciência, do Amor Incondicional e da Comunicação Não-Violenta. E digo sempre que isto é tudo mais “fácil” quando a nossa INTENÇÃO é realmente criarmos relações de autêntica conexão com os nossos filhos e quando tomamos consciência de que o fator “tempo” é um bom aliado! Se pelo contrário, o nosso foco estiver na obediência, na gestão do comportamento e na panóplia de tarefas e compromissos a fazer no nosso dia-a-dia, então dificilmente conseguimos exercer a nossa principal função enquanto pais e educadores – que é estarmos presentes na vida deles, ajudando-os a crescer em toda a sua plenitude. 

Aqui está o verdadeiro desafio: tomar consciência do piloto automático em que nos encontramos para depois poder escolher o que vamos fazer, como vamos passar a usar o nosso tempo, quais são as coisas realmente mais importantes, quando vamos finalmente começar a cuidar das nossas necessidades e das necessidades dos nossos filhos. 

Não sei se acontece contigo, mas o meu filho pede-nos muitas vezes para brincarmos com ele. Noto que ela fica mesmo feliz quando eu ou o pai fazemos algo COM ele. Na verdade, não são preciso brinquedos, porque na maioria das vezes são brincadeiras bem tradicionais ou inventadas de improviso por ele. Comigo adora jogar cartas, damas, monopoly, escondidas ou simplesmente às cócegas. Também adora que o pai jogue COM ele consola. Na verdade, há uns 15 minutos diários que ele não dispensa com o pai, aprendendo COM ele como se vencem etapas, se conquistam mais trunfos ou se ultrapassam obstáculos. Adora também jogar futebol COM ele e ver filmes COM ele. 

E às vezes, não nos apetece. Às vezes estamos cansados, estamos “enfiados” em algum trabalho ou tarefa doméstica. E ele fica bem aborrecido. Aborrecimento esse que também é bom, porque ele se desafia a sim mesmo para encontrar algo para fazer (e de repente, temos tesoura, cola, papeis e caixotes por todo o lado; ou começamos a ouvir vozes de “relatadores” de corridas de carros ou combates de “supers zings”). Percebemos o quanto é importante para ele todos esses momentos, e entendemos também que não podemos estar “sempre cansados”, “sempre ocupados”, “sempre a trabalhar”. Procuramos cuidar das nossas necessidades para estarmos o mais possível à altura das dele, porque afinal a escolha de ter um filho é nossa e ele só precisa da nossa presença plena para ser feliz e explorar o mundo. Não é sempre fácil, mas entre avanços e recuos, vamos fazendo o melhor que podemos, sempre com foco na INTENÇÃO.

Numa família, mais do que viver lado-a-lado ou uns para os outros, é importante vivermos JUNTOS! Isto significa que quando fazemos alguma coisa (seja cozinhar, brincar, jardinar, fazer compras, ver tv, etc), importa fazê-la com a criança e não para a criança. E assim as crianças crescem e aprendem, com os pais e não para os pais. Faz sentido para ti? 

O sentimento de pertença a uma família (e mais tarde a um grupo de pares) é fundamental para a construção de uma AUTOESTIMA saudável.  As crianças precisam de sentir essa pertença,  e que não são um fardo ou um encargo para os pais. Precisam, por exemplo, de rituais que são só da família (ex: filme e pipocas à sexta à noite, noite de jogos de tabuleiro ao sábado, partida de futebol ao domingo de manhã, entre outros).

E sabes do que elas precisam mesmo, mesmo muito? De serem VISTAS! E não avaliadas!! Quando ela chama por ti para vê-la a descer do escorrega ou quando vem te mostrar um trabalho manual, não está à espera de uma avaliação (ex: “Que bom!”, “Que bonito!”), apenas quer que a vejas, que sorrias, que a abraces, que lhe faças perguntas sobre esta experiência, que te desligues do telemóvel e dos olhares alheios. No fundo, a criança só quer que estejas lá, plenamente PRESENTE. Ela só está à tua procura, não à procura da tua avaliação, entendes? Estamos de tal maneira formatados para a avaliação (auto e hetero) que nos esquecemos da nossa essência e da dos outros. 

Sermos vistos pelo que somos mais do que pelo que fazemos, é tão bom, não é?

Fala-me um pouco sobre o que pensas sobre isto… E partilha este texto se achares que ele pode conduzir a boas reflexões J

Obrigada!

Zulima Maciel